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SACROMAQUIA

Em Sacromaquia, primeiro espetáculo da Trilogia da Clausura, a Balagan explorou o tema da clausura humana sob a perspectiva das vidas das mulheres nos claustros ibero-americanos, entre os séculos XVII e XVIII. A clausura humana se traduzia na busca pelo sagrado, no abandono da família, nas exigências do amor incondicional, no sacrifício corporal, no exercício do poder, na satisfação pela carne, na transcendência por meio do conhecimento, do estudo, do exercício poético e filosófico.

Os alicerces dessa pesquisa foram as diferentes perspectivas do enclausuramento humano a partir do ponto de vista do feminino, presente em obras literárias, históricas ou ficcionais como: Cartas Portuguesas (Mariana Alcoforado), As Armadilhas da Fé – Sóror Juana Ignés de La Cruz (Octavio Paz), A Religiosa (Denis Diderot), Teresa Filósofa (autor anônimo do séc. XVIII) e Do amor e outros demônios (Gabriel Garcia Márquez).

Os termos de sacromaquia – sacro (em latim: sagrado) e maquia (em grego: esforço para tornar-se) – foram tomados como imagens simbólicas, presentes na própria acepção da palavra. A escritura cênica, fundamentalmente imagética, icônica, foi organizada a partir dos elementos que constituem o espaço do mosteiro, isolado e reduzido, que serviu de metáfora para o enclausuramento físico, para os cantos evocativos, as narrativas poéticas e as dinâmicas que ritualizam e concretizam a prática espiritual.

O espetáculo estreou no Sesc Belenzinho, em São Paulo, em agosto de 2000.